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Salesianos

Publicado em 31 de Agosto de 2021 ás 07:44 , por Um século de evangelização e educação

Um século de evangelização e educação

Em 1902, um grupo de religiosos da Congregação Salesiana chegou à região de Primavera do Leste  e deu início a implantação de uma missão, que se consolidou quatro anos depois e está presente até hoje

Por Valmir Faria

Muito antes de os primeiros produtores rurais se instalarem onde mais tarde seria criado o município de Primavera do Leste, um grupo de abnegados e resilientes religiosos já vivia na região, catequizando e educando índios e os poucos não-índios que habitavam o cerrado mato-grossense. Eram os salesianos e salesianas da família fundada por Dom Bosco em 1859, na Itália, e que desde o início alimentava o sonho de educação da juventude e evangelização dos povos indígenas. 

Os salesianos chegaram ao Brasil em 1883, instalando-se  primeiramente no Rio de Janeiro. Em 1894, depois de insistentes pedidos do Bispo Dom Carlos Luís D'Amour e do presidente da Província de Mato Grosso, Manuel José Murtinho, chegam à Cuiabá com o objetivo de iniciar a missão de evangelizar e educar. Em 1895, chegam à capital da província as irmãs salesianas Filhas de Maria Auxiliadora. 

“Pude constatar que a obra de Dom Bosco é grandiosa e providencial, que muita coisa é feita com meios tão escassos”. Cândido Mariano da Silva Rondon

 

São José do Sangradouro

Em dezembro de 1901, uma expedição formada por cinco salesianos - 2 padres e 3 irmãos; 3 irmãs salesianas, 2 jovens e 8 soldados deixou Cuiabá pelo antigo caminho dos bandeirantes e seguiu por  trilhas e veredas em direção ao Leste mato-grossense em busca de um local para instalar uma missão.

Depois de um mês de penosa marcha em lombo de cavalos, no dia 18 de janeiro, o grupo chega à região do Rio Barreiro e inicia a Colônia Indígena Sagrado Coração de Jesus, com a preparação do terreno para construção de ranchos e plantação. Na colina próxima levantam um cruzeiro em sinal de paz e fraternidade com os indígenas.  Em 1906 é dado início à Colônia Indígena de São José de Sangradouro, tendo para isso sido comprada uma antiga fazenda do médico cuiabano Manoel dos Santos.   

Em 1911, durante sua passagem pela Missão, o então general Cândido Rondon destacou o trabalho desenvolvido pelos religiosos. “Pude constatar que a obra de Dom Bosco é grandiosa e providencial, que muita coisa é feita com meios tão escassos, que os salesianos são muito respeitados e queridos. Isso me faz concluir que a mão de Deus está aqui”, escreveu o patrono das comunicações em seu relatório de campo.

Aos poucos o local foi se transformando em uma pequena comunidade, tornando-se referência para a região, com plantação, oficinas, capela, cuidados da saúde, além de residência dos missionários e indígenas. 

Em 1915, foi instalada uma escola que alfabetizava os filhos dos fazendeiros, dos demais moradores e dos nativos bororos, que já haviam sido pacificados. Depois de algum tempo, a escola passou a funcionar em sistema de internato para favorecer as famílias da região. 

Após a destruição provocada pela luta contra a Coluna Prestes, em 1926, foi construído um canal com oito quilômetros de extensão, proporcionando energia elétrica à Missão e melhoria no funcionamento das oficinas. Na plantação, destacou-se o cultivo do trigo, que foi levado à exposição de São Paulo em 1942.

Em 1914, Sangradouro começou a depender da organização religiosa da Prelazia do Registro de Araguaia (hoje Araguaiana), iniciada no mesmo ano. São José de Sangradouro passou a ser sede de Paróquia em 1920, com os religiosos atendendo toda a região, chegando até aos povoados que foram se formando, como Lajeado (atual Guiratinga), Alto Coité, Poxoréo, Primavera do Leste e outras localidades. 

Em 1952 foi inaugurada uma nova e imponente igreja, com nave alta e amplas instalações. O templo, que pode ser visto de longe, é, ainda hoje, a marca da presença dos discípulos de Dom Bosco em Sangradouro.

Após várias tentativas de contato, em 1957 os Xavantes foram acolhidos na Missão pelos salesianos, sendo então iniciada a aldeia Xavante de Sangradouro. A tentativa de aproximação com os nativos custou a vida dos padres João Fuchs e Pedro Sacilotti, que morreram vitimados por doenças às margens do Rio das Mortes, em 1934. Em 1976, foi demarcada a reserva indígena bororo, em Meruri, ocasionando a morte do padre Rodolfo Lunkenbein e do índio Simão Bororo, e, em 1991 foi criada a reserva Xavante, em Sangradouro. A criação das reservas foi importante para a sobrevivência, aculturação e autonomia dos povos indígenas. 

Ainda presentes e atuantes

Passados 115 anos desde que os primeiros salesianos chegaram a Sangradouro, muita coisa mudou. A região evoluiu, as terras indígenas foram demarcadas e os índios pacificados, porém o trabalho dos religiosos continua ativo. 

Desde 2005, os salesianos estão presentes em Primavera do Leste, atuando na Paróquia Nossa Senhora da Salete, padroeira da agricultura, com comunidades na área urbana e rural, e no centro social Dom Bosco. 

Primeiro Pároco da Paróquia, padre Tiago Figueiró lembra das dificuldades iniciais, da pouca estrutura e do pouco espaço disponível para as atividades que atraiam dezenas de jovens. “Desde o início houve a preocupação com o espaço específico de formação e protagonismo juvenil, como as experiências do oratório, grupos juvenis, Centro Social D. Bosco e o sonho de um Centro Juvenil Salesiano, que está sendo projetado”, comenta o religioso. 

No Centro Social Dom Bosco, com a preocupação de ‘formação do bom cristão e do honesto cidadão’, são atendidas atualmente 200 crianças e adolescentes, especialmente dos bairros São Cristóvão, Novo Horizonte, Parque Eldorado, Centro-Leste, Poncho Verde e Jardim Universitário, com reforço escolar, oficinas de capoeira, dança, informática, tecido acrobático, música e canto coral, além do serviço de fortalecimento de vínculo familiar.  No bairro Vertente das Águas está sendo projetado o novo Centro Social para ampliar o atendimento aos jovens carentes da cidade, com foco na iniciação ao trabalho e cidadania. 

Com o passar dos anos, com as ações desenvolvidas e com o apoio da comunidade, a Paróquia Nossa Senhora da Salete melhorou sua estrutura, com a construção da igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, aquisição de veículos, construção da secretaria paroquial e aquisição de terrenos para a construção de um templo dedicado a São João Bosco.  Em um terreno doado aos Salesianos, foi construída, em nome da Paróquia, uma casa onde mora o bispo Dom Derek e uma casa para a comunidade Salesiana na Avenida Dom Bosco, no Jardim Luciana. 

Em Sangradouro, atualmente, moram os salesianos padre José Benito Porto Gonzalez e padre Juan Carlos Inguza, ambos espanhóis, o padre Lich Tran, vietnamita e o mestre Antônio Teixeira, que é brasileiro. Em Primavera do Leste, na casa da Missão Salesiana, no bairro Jardim Luciana, residem os salesianos brasileiros padre Ângelo César Cenerino, mestre Damião de Jesus e o padre Tiago Figueiró. 

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6ª Edição Revista Fator MT - Primavera do Leste