Boa tarde, Terça Feira 04 de Agosto de 2026

Reportagem Especial

Etanol de milho ganha espaço no Brasil e tecnologia impulsiona eficiência e sustentabilidade do setor

Publicado em 04 de Agosto de 2026 ás 12:41

O etanol de milho vem consolidando sua posição como uma das principais apostas da bioenergia brasileira, impulsionado pelo crescimento da demanda por combustíveis renováveis, avanços tecnológicos e maior eficiência produtiva. Além de contribuir para a redução das emissões de carbono, a atividade fortalece a economia, gera empregos e amplia as oportunidades para o agronegócio.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a produção de cana-de-açúcar no ciclo 2023/2024 registrou crescimento de 4,4% em relação à safra anterior. Já a produção nacional de etanol foi estimada em 33,17 bilhões de litros, avanço de 5,9% sobre o ciclo anterior.

Dentro desse cenário, o etanol produzido a partir do milho vem ganhando cada vez mais relevância. Projeções do Ministério da Agricultura e Pecuária e da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) indicam que a safra 2023/2024 deverá alcançar cerca de 6 bilhões de litros do biocombustível, representando aproximadamente 19% de todo o etanol consumido no país. Atualmente, o Brasil conta com 18 usinas dedicadas à produção de etanol de milho.

Tecnologia aumenta produtividade

Especialistas destacam que a expansão do setor depende diretamente da adoção de tecnologias voltadas para a gestão agrícola e industrial. Ferramentas de agricultura de precisão, sensores, monitoramento remoto e sistemas integrados permitem acompanhar desde o preparo do solo até o processamento industrial, elevando a eficiência e reduzindo desperdícios.

Essas soluções possibilitam analisar as características do terreno, indicar os melhores períodos de plantio, monitorar o desenvolvimento das lavouras, controlar o uso de insumos e acompanhar indicadores fitossanitários. No ambiente industrial, sistemas especializados monitoram todas as etapas da produção, incluindo fermentação, logística e processamento do milho.

Aproveitamento integral amplia rentabilidade

Um dos diferenciais do etanol de milho é o aproveitamento de seus subprodutos. Durante o processo de fermentação, resíduos podem ser transformados em matéria-prima para a fabricação de ração animal, agregando valor à produção e criando novas fontes de receita para as indústrias.

Além disso, a automação e a otimização dos processos produtivos contribuem para reduzir custos operacionais, aumentar a eficiência energética e melhorar o aproveitamento dos recursos utilizados na cadeia produtiva.

Benefícios ambientais e econômicos

O avanço da bioenergia também gera impactos positivos nas comunidades rurais, com criação de empregos, fortalecimento das cadeias produtivas e incentivo ao desenvolvimento regional.

Outro fator que deve impulsionar ainda mais o setor é a crescente demanda por combustíveis sustentáveis na aviação. A partir de 2027, regulamentações internacionais deverão exigir a compensação das emissões de gases de efeito estufa pelas companhias aéreas, seja por meio de créditos de carbono ou da utilização de Combustível Sustentável de Aviação (SAF), cuja produção pode utilizar o etanol de milho como matéria-prima.

Com investimentos em inovação, automação e novas tecnologias, o etanol de milho amplia seu protagonismo na matriz energética brasileira e desponta como uma alternativa capaz de unir produtividade, rentabilidade e sustentabilidade, contribuindo para uma economia de baixo carbono e para o fortalecimento do agronegócio nacional.

Fabrício Orrigo, diretor de produtos de Agro da TOTVS

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