Revista Oeste de São Paulo destaca Sinop como referência em desenvolvimento

A cidade que cresceu mais de 70% e virou uma das que mais ganharam habitantes no interior do Brasil
A 500 km de Cuiabá, no norte de Mato Grosso, Sinop é hoje uma cidade jovem que surpreende. Fundada há pouco mais de 50 anos, ela viu sua população praticamente dobrar em uma década e meia, virou um dos principais polos do agronegócio do Brasil e construiu uma infraestrutura urbana que pouca gente espera encontrar no meio do norte mato-grossense.
Por que Sinop cresceu mais do que qualquer outra cidade do interior?
Por uma combinação rara de colonização planejada, fronteira agrícola e logística da soja. A cidade nasceu em 14 de setembro de 1974, quando a empresa Colonizadora Sinop S.A. trouxe agricultores do norte do Paraná para ocupar 500 mil hectares de terra na BR-163. O nome é, na verdade, um acrônimo: Sociedade Imobiliária Noroeste do Paraná, a empresa que liderou o processo.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tinha 113.099 habitantes em 2010 e chegou a 196.312 no Censo de 2022, um crescimento de 73,4% em 12 anos. A estimativa de 2025 já indica 223.780 moradores, e o ritmo coloca Sinop entre as quatro cidades brasileiras que mais ganharam habitantes proporcionalmente na última década. A Prefeitura Municipal de Sinop estima ainda uma população flutuante de 50 a 60 mil pessoas que trabalham no município sem morar nele, característica típica de cidade-polo regional.
Como o agronegócio transformou a cidade no Portal do Nortão?
Pelo eixo soja, milho e madeira, que move quase toda a economia local. A região onde Sinop fica é uma das maiores produtoras de grãos do Brasil, e a cidade virou referência logística da BR-163, principal corredor que escoa a safra mato-grossense rumo aos portos do Pará. O município é sede da Embrapa Agrossilvipastoril, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária dedicada a estudos de integração entre lavoura, pecuária e floresta para os biomas Cerrado e Amazônia.
O peso do agronegócio aparece nos números: o PIB per capita do município é de R$ 59.782, segundo o IBGE, e a balança comercial registrou mais de US$ 1 bilhão em exportações em 2021. A cidade é a 4ª maior economia do estado de Mato Grosso e está entre os 150 municípios brasileiros com maior proporção de veículos por habitante, com mais de 157 mil veículos emplacados. O número de empresas cresceu cerca de 150% em 10 anos, refletindo a velocidade com que o agronegócio vem transformando o centro urbano.
A UFMT no coração da Amazônia mato-grossense
Apesar da idade jovem, Sinop tem um campus federal consolidado. A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) instalou-se na cidade em 1993, depois de mais de uma década de mobilização local, e hoje oferece 14 cursos de graduação, incluindo Medicina, Agronomia, Engenharia Florestal, Medicina Veterinária, Zootecnia, Enfermagem, Farmácia e licenciaturas em Ciências Naturais.
O campus se desenvolve em três grandes institutos: Ciências Agrárias e Ambientais, Ciências da Saúde e Ciências Naturais, Humanas e Sociais. A proximidade com os biomas de Cerrado e Floresta Amazônica tornou o campus referência em pesquisa ambiental, climatologia e ciências agrárias. Junto com a Embrapa Agrossilvipastoril, a UFMT forma a base científica que sustenta o agronegócio sustentável da região e atrai estudantes de todo o norte mato-grossense.
Vale a pena viver em Sinop?
Para quem aceita o calor amazônico, sim. A cidade tem uma característica rara: foi planejada de origem, com ruas de 20 metros de largura, avenidas de até 50 metros e calçadas largas, batizadas com nomes de árvores e flores como Acácias, Sibipirunas, Jequitibás, Tarumãs e Palmeiras. Segundo dados da prefeitura, Sinop tem 27 m² de área verde por habitante, mais do dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O município é banhado pelo Rio Teles Pires, afluente do Rio Tapajós, que por sua vez deságua no Rio Amazonas. A Praia do Cortado, formada nas margens do rio durante o período seco, é um dos cartões-postais do verão sinopense. Para quem chega de fora, o conjunto de fatores surpreende: uma cidade jovem, cercada por floresta, com infraestrutura urbana planejada, polo universitário e econômico, custo de vida abaixo das capitais e um dos PIB per capita mais altos do Centro-Oeste brasileiro.
Quando ir e o que esperar do clima do norte mato-grossense?
Sinop tem clima equatorial, com duas estações bem definidas: chuvosa de outubro a abril e seca de maio a setembro. As temperaturas são altas o ano inteiro, com médias acima dos 25°C, e o calor seco do inverno amazônico é o melhor momento para visitar.
Conheça a cidade que cresce no ritmo da soja
Sinop é o tipo de lugar que desafia a ideia que muita gente faz do interior do Mato Grosso. Em pouco mais de 50 anos, virou polo universitário, capital do agronegócio do norte mato-grossense e uma das cidades que mais crescem do Brasil, com infraestrutura urbana planejada e área verde acima da média.
Você precisa visitar Sinop, conhecer o campus da UFMT e ver a Praia do Cortado no Rio Teles Pires para entender por que a Capital do Nortão continua atraindo tanta gente para o coração do Mato Grosso.
Fonte: Revista Oeste