Logística terá R$ 1,2 trilhão em investimentos até 2050

Plano Nacional de Logística 2050 prevê recursos públicos e privados para ampliar a integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos.
O Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 entrou em vigor nesta quarta-feira (12) com a proposta de orientar o planejamento da infraestrutura de transportes do Brasil até 2050. O documento deverá servir como referência para investimentos públicos e privados em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos.
Elaborado no âmbito do Planejamento Integrado de Transportes (PIT), o plano foi estruturado a partir dos principais gargalos identificados na logística nacional. Ao todo, estão previstos R$ 1,225 trilhão em investimentos até 2050. Desse montante, R$ 734,4 bilhões deverão ser destinados pela iniciativa privada e R$ 490,5 bilhões pelo setor público.
Os recursos devem financiar a manutenção de corredores estratégicos, a ampliação da capacidade de estruturas já existentes e a implantação de novos empreendimentos.
Plano estabelece prioridades para o transporte
O PNL 2050 definiu 112 objetivos prioritários, voltados à solução de problemas atuais, ao atendimento de futuras demandas e ao desenvolvimento regional. O documento também estabeleceu 31 eixos prioritários de transporte.
Desse total, são 12 eixos rodoviários, oito ferroviários, quatro aquaviários e sete intermodais. Entre as medidas previstas estão a expansão de corredores ferroviários e rodoviários, a consolidação de hidrovias e o aumento da infraestrutura portuária.
Mudança na estratégia de planejamento
Durante a cerimônia de lançamento do PNL, em Brasília, o ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que o plano pretende organizar projetos e iniciativas capazes de contribuir para o futuro do Brasil e da América Latina.
Segundo Santoro, a proposta busca mudar a lógica de planejamento do setor, definindo primeiro os objetivos do país e os problemas que precisam ser enfrentados antes da escolha dos investimentos.
O ministro também destacou que a mudança envolve uma transformação cultural e não deve ocorrer por meio de uma única iniciativa. A expectativa é consolidar gradualmente um novo processo de planejamento.
Cabotagem ganha espaço no PNL
Entre as novidades desta edição está a inclusão da cabotagem, modalidade de navegação realizada entre portos de um mesmo país. Santoro defendeu uma atenção maior a esse tipo de transporte e classificou a inclusão como uma evolução importante.
O ministro também afirmou que o transporte aéreo de cargas ainda precisa avançar no planejamento. Na mesma cerimônia, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destacou os avanços registrados na infraestrutura brasileira após ciclos de investimentos públicos e, principalmente, privados.
Segundo Franca, a participação do setor privado contribuiu para ampliar a capacidade instalada e melhorar a eficiência, especialmente nos segmentos de portos e aeroportos.
Integração entre os modais é desafio
Para Tomé Franca, um dos principais desafios apresentados pelo PNL é integrar os diferentes modais de transporte. Na avaliação do ministro, portos, rodovias, ferrovias e hidrovias precisam funcionar de maneira conectada para melhorar o sistema de transporte nacional.
O documento também aponta a necessidade de ampliar o uso das ferrovias para o escoamento da produção. A estratégia busca reduzir a dependência do transporte rodoviário e aumentar a participação de outros modais.
Jorge Bastos, presidente da Infra, empresa pública federal responsável por atividades de planejamento, estruturação de projetos e desenvolvimento de engenharia e inovação no setor de transportes, afirmou que o PNL precisa manter credibilidade e continuidade para atravessar diferentes governos.
Dependência das rodovias está entre os desafios
Entre os principais problemas identificados pelo PNL 2050 está a forte dependência das rodovias, responsáveis por 54% da movimentação de cargas. O documento também aponta a baixa utilização de ferrovias e hidrovias, dificuldades para o escoamento da produção, problemas de abastecimento em áreas mais isoladas e obstáculos para integrar os diferentes modais.
Como resposta, o plano prioriza a intermodalidade e a conexão entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. A expectativa é reduzir custos de transporte, aumentar a competitividade das exportações, melhorar o abastecimento interno e ampliar a integração do território nacional.
O PNL 2050 também considera a redução das desigualdades regionais. Projetos localizados nas regiões Norte e Nordeste recebem prioridade, enquanto critérios de sustentabilidade incluem adaptação às mudanças climáticas, redução de emissões e proteção da biodiversidade.
Fonte: CenárioMT