Inpasa busca R$ 1 bilhão em debêntures para financiar expansão em Sinop (MT)

Enquanto constrói em Rio Verde (GO) e Rondonópolis (MT), companhia pretende dobrar a capacidade da usina de Sinop com projeto de R$ 1,6 bilhão e reforçar a liderança no etanol de milho
Maior produtora de etanol de milho da América Latina, a Inpasa quer ser dona da maior usina do mundo. Um documento arquivado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite desta quinta-feira, 18, ilustra esse movimento.
A companhia está em busca de R$ 1 bilhão em debêntures e justifica que o montante será utilizado para ampliar a capacidade produtiva de uma de suas principais plantas: a usina de Sinop (MT).
O documento cita que a Inpasa possui um projeto de R$ 1,6 bilhão (dos quais 60% serão captados com essa emissão) para dobrar a capacidade produtiva da unidade. O objetivo é construir duas plantas produtoras de etanol a partir de cereais com capacidade produtiva de 1,35 milhão de litros de etanol – por dia e por planta – na cidade.
A emissão será feita em série única e o retorno aos acionistas será estabelecido durante o processo de bookbuilding, mas a empresa limitou o retorno à taxa interna de retorno atrelada ao IPCA mais juros semestrais.
A empresa de origem paraguaia começou suas operações no país em Sinop em 2019 de maneira mais modesta, produzindo 1,7 milhão de litros de etanol por dia. Em meio a expansões para outras cidades e estados, a unidade teve sua capacidade ampliada ao longo dos anos para 3 milhões de litros e, posteriormente, para cerca de 5 milhões de litros diários do biocombustível.
As outras usinas da Inpasa estão localizadas em Nova Mutum (MT), Dourados (MS), Balsas (MA), Sidrolândia (MS) e Luis Eduardo Magalhães (BA) – que teve sua operação iniciada há dois meses – além das cidades paraguaias de Nova Esperança e São Pedro.
Outras duas unidades estão a caminho: Rio Verde (GO) e Rondonópolis (MT). A primeira receberá investimentos de R$ 2,4 bilhões e terá capacidade anual para processar 2 milhões de toneladas de grãos, resultando na produção de 1 bilhão de litros de etanol, sem contar os coprodutos.
Na segunda, os desembolsos chegarão a R$ 2,7 bilhões e a capacidade produtiva será equivalente a da unidade goiana. No caso de Rondonópolis, a decisão veio após a parceria firmada com a Amaggi fracassar.
A ideia inicial era criar uma joint-venture para construir essa e outras plantas, mas após a sociedade ser desfeita, a Inpasa decidiu investir sozinha no município.
A Amaggi não ficou para trás e, meses depois, anunciou que comprou uma participação de 40% na FS, principal concorrente da Inpasa, marcando sua entrada no mercado do etanol de milho.
Sem contar a expansão em Sinop, esses dois novos projetos elevarão em 50% a capacidade de produção da Inpasa, passando a 8,6 bilhões de litros ao ano.
Em entrevista concedida ao AgFeed no início deste mês, o vice-presidente de negócios de originação da empresa, Flávio Peruzo Gonçalves, citou que a empresa continuaria com seu plano de abertura de novas usinas, mesmo em meio a um mercado que estava “tirando o pé”.
Ele citou que a Inpasa estava fazendo ampliações na usina de Nova Mutum (MT), elevando a produção anual em 350 milhões de litros, com investimento superior a R$ 700 milhões. A unidade passará a ter capacidade total de cerca de 1,4 bilhão de litros de etanol por ano.
A ideia da Inpasa é produzir 8 bilhões de litros de etanol de milho anuais até 2027, quando espera ter 10 biorrefinarias em atividade.
Fonte: novacana