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Agro

Entre o campo e a cidade, hub aposta em Sinop como polo de inovação

Publicado em 20 de Agosto de 2026 ás 15:56

Criado há três meses, o Pequi Innovation Hub busca aproximar produtores, startups e outros setores para testar tecnologias no campo e ampliar o ecossistema de inovação no norte de Mato Grosso

Em uma região onde tecnologia e produção agrícola convivem lado a lado, há cerca de três meses, Sinop (a 480 km de Cuiabá) ganhou um hub (local estratégico) de inovação criado com um objetivo: fazer com que as tecnologias desenvolvidas para o agronegócio realmente atendam às necessidades de quem está no campo. Fundado pela engenheira agrônoma Jéssica Gimenes, o Pequi Innovation Hub pretende aproximar produtores rurais, startups e diferentes setores da cidade para testar soluções, levantar dados e entender o que funciona - ou não - dentro das propriedades.

Agro Bayer

Tecnologia de irrigação lavoura de soja

Em entrevista ao , Jéssica conta que a ideia nasceu das experiências acumuladas em mais de 11 anos trabalhando com inovação no agronegócio. Segundo ela, a trajetória começou em Piracicaba (SP), onde atuou como voluntária em uma entidade internacional que acelerava startups de forma online. Foi ali que passou a acompanhar como ideias desenvolvidas dentro das universidades poderiam virar projetos, negócios e tecnologias com potencial de chegar ao mercado.

Pouco tempo depois, ela passou por multinacionais, startups e hubs de inovação. Porém apesar de estar inserida em um ambiente altamente tecnológico, Jéssica sempre se questionava se aquilo que estava desenvolvendo correspondia ao que o produtor realmente precisava.

“Será que essa é uma demanda do produtor rural? Será que essa é uma dor dele mesmo? Será que ele tem esse nível de maturidade tecnológica?”, lembra.

A dúvida não era apenas teórica. Segundo Jéssica, havia situações em que uma empresa tentava vender determinada tecnologia a um produtor sem que aquela solução fizesse sentido para a realidade da propriedade.

Foi quando veio para Mato Grosso que a engenheira agrônoma conseguiu se aproximar mais desse outro lado da inovação, participando de trabalhos para mapear o perfil tecnológico dos produtores e liderando uma iniciativa de levantamento das principais dificuldades enfrentadas pelo setor rural no Estado.

“Eu rodei mais de 25 cidades aqui no estado e identifiquei que tinha um hub em Rondonópolis, tinha um hub na capital, tinha um hub em Lucas do Rio Verde, mas não tinha um hub aqui em Sinop que é uma cidade super chave, com aeroporto, universidade. Então baseado em tudo o que eu estudei, em tudo que eu observei aqui no estado, eu vi que a gente ainda precisava trabalhar muito essa parte de validação das tecnologias em campo e levantamento de dados, por meio de um hub de inovação ao mesmo tempo que a gente precisava desenvolver a maturidade das cidades ao redor”, explica. 

Arquivo Pessoal

Jéssica Gimenes, Pequi Innovation Hub, engenheira, Sinop

Jéssica Gimenes, fundadora do Pequi Innovation Hub

Entender antes de vender

Jéssica aponta ainda que uma das frentes que o Pequi pretende desenvolver é justamente a validação das tecnologias no campo. Para ela, ao invés de partir apenas da solução que uma startup tem para oferecer, a proposta é olhar também para quem está do outro lado: qual problema aquele produtor enfrenta, quanto de tecnologia já utiliza e qual ferramenta poderia ser incorporada à sua rotina.

O agronegócio é uma das quatro verticais de atuação do hub. As outras são energia, principalmente biocombustíveis, saúde e construção civil. Segundo a especialista, a definição das áreas levou em consideração as demandas identificadas em Sinop e na região.

O Pequi também busca fazer conexões para além de Mato Grosso. Jéssica cita, entre elas, uma parceria com o Parque Tecnológico de São José dos Campos para o desenvolvimento de projetos relacionados à agricultura familiar e a aproximação com uma entidade internacional voltada à aceleração de projetos de sistemas agroalimentares. “O objetivo é trabalhar em rede sempre”, resume.

Quando a gente tem um hub que se estabelece dentro de uma cidade e não no campo, as pessoas começam a entender um pouco melhor como fazer parte daquele movimento

O campo e a cidade

Essa rede, porém, não envolve apenas produtores e empresas de tecnologia. Uma das apostas do Pequi é aproximar o universo rural de pessoas que vivem na cidade e atuam em áreas que, à primeira vista, podem parecer distantes do agronegócio.

Para Jéssica, instalar um ambiente de inovação dentro da cidade ajuda a ampliar essa troca. O produtor pode sair da rotina da propriedade, conversar com profissionais de outros setores e conhecer experiências adotadas em outras regiões. Ao mesmo tempo, pessoas que dificilmente frequentariam uma feira agrícola, por exemplo, podem entrar nas discussões sobre inovação por outros caminhos.

“Quando a gente tem um hub que se estabelece dentro de uma cidade e não no campo, as pessoas começam a entender um pouco melhor como fazer parte daquele movimento”, explica.

Um dos exemplos é o movimento Mulheres na Inovação. A iniciativa reúne mulheres de diferentes áreas, sem ficar restrita ao agronegócio. A ideia é justamente colocar experiências distintas na mesma conversa e perceber o que pode ser aproveitado entre os setores.

Jéssica cita o próprio campo jurídico como exemplo. Questões e soluções discutidas entre profissionais do Direito também podem encontrar aplicação dentro de uma propriedade rural. Para ela, essa mistura é necessária para que o ambiente de inovação deixe de circular sempre entre os mesmos atores.

“O que eu acho que estava faltando aqui em Sinop era esse ambiente promotor mesmo para que o campo viesse para a cidade e a cidade viesse mais para o campo também”, afirma.

Qual tecnologia cabe em cada fazenda?

Uma das iniciativas previstas pelo Pequi tenta responder justamente a essa pergunta. O hub mantém um Observatório de Inovação do Agronegócio e um Observatório de Inovação de Sinop. O objetivo é fazer um diagnóstico de cada fazenda para identificar o nível de utilização de tecnologia pelo produtor. Com essas informações, seria possível aproximá-lo de soluções mais compatíveis com a realidade da propriedade.

Na prática, a proposta tenta evitar um problema que Jéssica encontrou ao longo da carreira: apresentar uma tecnologia primeiro para somente depois descobrir se aquele produtor está preparado para utilizá-la ou sequer precisa dela.

O levantamento também deve ajudar startups e empresas de base tecnológica a identificar produtores com maior possibilidade de aderir às soluções oferecidas. Do outro lado, Jéssica acredita que conhecer previamente o estágio tecnológico de cada propriedade pode tornar mais fácil a aceitação de novas ferramentas pelos produtores.

Além de observatórios, estão previstos programas voltados aos produtores rurais e às empresas de base tecnológica, com trabalhos de validação e aceleração de startups. Como o Pequi tem apenas três meses, parte dessas iniciativas ainda está começando a sair do papel.

“A gente espera, no futuro, ser um hub de informação e inteligência para o estado de Mato Grosso que consiga expandir isso a nível nacional e tornar Sinop a agenda de referência em inovação principalmente do agro do Brasil. A gente tem um potencial gigantesco para estabelecer isso aqui, temos as pessoas certas, os movimentos certos, então o Pequi está nessa agenda para fortalecer mesmo o nosso ecossistema”, declara.

Fonte: CenárioMT

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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