Colheita do milho entra na reta final em Lucas do Rio Verde com produtividade satisfatória, avalia Sindicato Rural

Presidente do Sindicato Rural, Tiago Cinpak, afirma que cerca de 95% das lavouras já foram colhidas, destaca o fortalecimento do mercado com as usinas de etanol e alerta para os altos custos de produção que ainda pressionam o setor.
A colheita da segunda safra de milho em Lucas do Rio Verde caminha para o encerramento, com aproximadamente 90% a 95% das áreas já colhidas. A estimativa é do presidente do Sindicato Rural Patronal de Lucas do Rio Verde, Tiago Cinpak, que avalia que os trabalhos devem ser concluídos nas próximas semanas.
Segundo o dirigente, as chuvas registradas nos últimos dias provocaram apenas pequenos atrasos nas operações de campo. De acordo com ele, o milho suporta melhor esse cenário, já que, normalmente, após um ou dois dias de tempo firme, a umidade dos grãos volta aos níveis adequados para a retomada da colheita.
Cinpak destaca que, de maneira geral, a safra apresentou bons resultados na região do Médio Norte de Mato Grosso. Apesar de diferenças pontuais entre propriedades, influenciadas pela distribuição das chuvas, a produtividade ficou dentro das expectativas da maioria dos produtores.
Outro fator apontado como positivo é o fortalecimento da cadeia do milho com a expansão das indústrias de etanol no estado. Conforme o presidente do Sindicato Rural, a chegada dessas unidades ampliou a concorrência pela compra do cereal, agregando valor ao produto e proporcionando maior liquidez ao mercado regional.
Antes concentrada principalmente nos mercados de ração animal e exportação, a comercialização do milho passou a contar com uma importante demanda interna, permitindo que os produtores tenham maior segurança para negociar a produção e planejar os investimentos para as próximas safras.
Segundo Cinpak, a perspectiva de preços futuros mais atrativos também incentiva novos investimentos na cultura. Embora a região de Lucas do Rio Verde possua poucas áreas disponíveis para expansão agrícola, ele lembra que Mato Grosso ainda dispõe de extensas áreas de pastagens passíveis de conversão para agricultura, respeitando a legislação ambiental e sem necessidade de abertura de novas áreas.
Apesar do cenário favorável para a comercialização, o presidente alerta que o setor continua enfrentando forte pressão financeira. O aumento dos custos dos insumos, impulsionado por conflitos geopolíticos em importantes regiões fornecedoras de fertilizantes, tem reduzido significativamente as margens de lucro tanto da soja quanto do milho.
Ele ressalta que muitos produtores ainda enfrentam reflexos dos elevados investimentos realizados durante o período da pandemia, mantendo um nível elevado de endividamento. Segundo Cinpak, uma safra com boa produtividade ajuda a diluir parte desses custos, mas a situação financeira do setor ainda exige atenção e acompanha as discussões sobre programas federais de renegociação de dívidas.
Algodão sente mais os efeitos das chuvas
Além do milho, o presidente também comentou o andamento da colheita do algodão, que começou mais recentemente e deve atingir cerca de 20% das áreas neste momento.
Diferentemente do milho, o algodão é mais sensível às chuvas durante a colheita. De acordo com Cinpak, as precipitações registradas nas últimas semanas comprometeram parte da qualidade da fibra nas primeiras áreas colhidas, o que pode resultar em deságios nos contratos já firmados e impactar a comercialização.
Mesmo assim, a expectativa é de melhora ao longo da safra, especialmente nas lavouras que ainda não estavam completamente desfolhadas quando ocorreram as chuvas, reduzindo os danos à qualidade da produção.
Fonte: cenáriomt