LOGISTICA

Logística privilegiada

 

Segundo especialista do Movimento Pró-Logística, isso se deve pela presença de rodovias federais e estaduais que cruzam os municípios do Noroeste, além da implantação de terminais ferroviários

 

A região Noroeste está numa localização estratégica do ponto de vista logístico. Está equidistante de Rondonópolis e Porto Velho/RO, dois importantes pontos do escoamento da produção de grãos – o primeiro por ferrovia, e o segundo por hidrovia - pelo Rio Madeira.

Se levarmos em conta o fator geográfico, a região é desfavorecida por não haver hidrovias próximas. Porém, enquanto a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO) ainda não chega, a presença de duas importantes rodovias – a federal BR-364 e a estadual MT-235 – oferece alternativas aos produtores rurais da região.

E ter opções favorece o desenvolvimento econômico do Noroeste. É o que explica o diretor-executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira. “As cidades desta região possuem uma das melhores logísticas de Mato Grosso neste sentido”.

À Revista FATOR MT, ele aponta quais são hoje – e os futuros – principais corredores de escoamento das milhões de toneladas colhidas das mais variadas commodities, entre elas soja, milho, feijão, algodão, girassol, milho-pipoca e painço, produzidas pelas potências do agronegócio.

“A logística é bem parecida. Campo Novo do Parecis, por exemplo, está no entroncamento das rodovias BR-364 e MT-235. Ela está na mesma distância entre Rondonópolis e Porto Velho. É muito comum vermos caminhões carregados nos dois sentidos. Isso mostra que os produtores têm essas duas alternativas para escoar a exportação”.

Outras duas importantes vias que cortam a região são a MT-170, que dá acesso a Brasnorte e Juína, e a BR-174, interligando Juína a Vilhena/RO. “Já é utilizada principalmente no transporte de combustíveis. Esse trecho de 233 km entre as duas cidades vai propiciar uma melhoria significativa da logística para Brasnorte quando estiver totalmente pavimentada. Juína, Brasnorte e Juara serão beneficiadas”, destaca Edeon.

 

TERMINAIS FERROVIÁRIOS

Se há um século os trens eram um dos mais importantes meios de transporte no país, sua degradação e falta de manutenção culminou na retirada quase completa da malha ferroviária. Entretanto, mediante a economia que ela era geraria, Mato Grosso tem apostado neste modal, e a instalação de terminais ferroviários se torna muito atrativa para vários municípios.

“Sapezal tem como principal via de escoamento a BR-364, assim como Campos de Júlio e Comodoro. Nós temos trabalhado no sentido de viabilizar no futuro a implantação da FICO [Ferrovia de Integração Centro-Oeste], ligando Sapezal a Porto Velho. É uma ferrovia viável, porque tem volume de carga acima de 10 milhões de toneladas”, aponta.

Segundo o diretor do Pró-Logística, isso resolveria o problema dos altos preços do frete e propiciaria o desenvolvimento de toda a região ao longo da ferrovia. “Eu acredito que a grande alternativa para aquela região é a implantação da ferrovia. Ela está nos planos do Governo (Federal), há estudos adiantados, mas ainda é uma projeção em longo prazo”, reitera, emendando que em curto e médio prazo, o que há de certo é a concessão à iniciativa privada de trecho da BR-364 entre Comodoro a Porto Velho.

Edeon Vaz afirma que está prevista a construção de terminais ferroviários em Sapezal, Campos de Júlio e Comodoro, entre outros municípios. Ele ressalta que há uma diferença em relação ao que muitos confundem com ‘porto seco’.

“Terminal ferroviário é onde se faz o transbordo da carga do caminhão para os vagões. No caso de Comodoro, trata-se de um terminal. Já o porto seco é um espaço definido pela Receita Federal e pelos órgãos de fiscalização, tais como Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e Ministério da Agricultura, entre outros, que recebe uma determinada carga, embarca em contêineres e despacha diretamente, sem necessidade de passar por algum outro órgão. Portanto, o que está previsto nesse município é a instalação desse TF, e não de um porto seco”, conclui.