Campo de Júlio

Município projeta crescimento alavancado pelo agro

 

 Município é um dos maiores produtores agrícola de Mato Grosso e tem maior PIB per capita do estado

Emancipado política e administrativamente em 1996, Campos de Júlio é um dos municípios de Mato Grosso com um dos maiores potenciais agrícolas e de desenvolvimento do Estado. Está entre os 50 maiores PIB agropecuário brasileiro, com R$ 1,3 bilhão (IBGE 2018), dos quais, cerca de 42% são gerados pelo agronegócio e tem a maior renda per capita do estado, com R$ 190 mil anuais.  

Eleito para o seu primeiro mandato, o prefeito Irineu Parmegianni aponta que o Município tem vários caminhos a serem percorridos para que entre definitivamente na rota do crescimento econômico. “O primeiro é ser correto. Se nós como gestores formos sérios e buscarmos pessoas também sérias, vamos superar todos os problemas que temos no dia a dia e fazer Campos de Júlio ser diferente”, diz ele. 

Parmegianni enfatiza que o potencial de desenvolvimento do Município é muito grande e sua proposta enquanto gestor é buscar novos investimentos e trabalhar para atender as expectativas da população. “Temos vários projetos dentro do nosso plano de trabalho, como trazer investidores para dentro do nosso município, buscar estar presente, entender o que a população quer e trabalhar. Acho que o nosso foco é trabalho, trabalho e trabalho. É isso que a gente quer para Campos de Júlio”, afirma. 

O agronegócio, que sempre foi o carro-chefe da economia local, na opinião do prefeito, deve continuar alavancando o progresso e o crescimento da cidade, atraindo novos empreendimentos ligados ao setor, como empresa de armazenamentos e de prestação de serviços. 

Logística favorável

Localizada no eixo da BR-364, o município tem na rodovia um dos fatores que contribuem para sua expansão econômica. A rodovia, de acordo com o prefeito, mudou a forma como a cidade era vista. “A estrada foi fundamental para o desenvolvimento nosso”, destaca Parmegianni. 

Outro fator que deve alavancar ainda mais o desenvolvimento local é a passagem dos trilhos da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO) pelo território de Campos de Júlio, onde está previsto a implantação de um terminal de carga e descarga. A FICO é um dos projetos do Governo Federal para ampliar a malha ferroviária no Brasil.

“Qualquer modal que venha para a região é interessante. E a ferrovia é um modal que vem somar e facilitar tanto para vir o insumo quanto para levar nossa produção”, diz o prefeito. 

 

Desafios a serem superados

Se Campos de Júlio oferece inúmeras oportunidades de negócios, tem também vários desafios a serem superados. Um deles é a capacitação profissional para atender a demanda de empregos gerados pelo setor agrícola. 

“Falta profissionalizar mais as pessoas. Esse é um gargalo que a gente vê que tem. Nós temos que treinar e capacitar as pessoas. Como o município é agrícola, a oferta de empregos é constante e a cidade em si também tem empresas que empregam pessoas, mas de um modo geral, Campos de Júlio falta mão de obra qualificada”, observa o prefeito. 

Outro gargalo citado pelo prefeito é a pouca oferta de energia elétrica para atender a demanda de empresas de maior porte ligadas ao agronegócio. 

“Tudo que a gente precisa é isso”, reconhece Parmegianni. “A gente está tentando marcar uma reunião com a diretoria da Energisa para que a cidade possa ser interligada às várias PCH´s aqui do Município para poder fazer a geração de energia”, informa. 

Para que essa interligação possa ser feita, é necessário um grande aporte de recursos, algo em torno de R$ 20 milhões. “Os investimentos são altos, mas a gente tem de pensar no longo prazo”, contemporiza. 

Lugar para se investir

Fazendo parte do Chapadão dos Parecis, com uma área de 6,8 mil quilômetros quadrados e localização estratégica, Campos de Júlio é uma excelente opção para se fazer investimentos em Mato Grosso, tanto pela oferta de matéria prima quanto pela logística favorável. Tem também um distrito industrial em desenvolvimento, mas que ainda necessita de investimentos. 

Pelo dinamismo da economia local, além das grandes empresas que encontrarão na cidade condições ideais para produzir, há também espaço para investimentos menores ligados à prestação de serviços, ao comércio e ao transporte, entre outros. 

Setores como o de saúde e o da construção civil, de acordo com o prefeito, têm muito a crescer. A cidade necessita de consultórios e clínicas médicas. “Nós precisamos também de investidores que venham e façam prédios para alugar, porque assim, automaticamente outras empresas também virão. A maior parte dos investidores não gosta de ter sede própria, preferem alugar porque se imobiliza menos dinheiro”, explica.   

 

Produção agrícola

Ocupando a 9ª colocação no ranking dos maiores produtores agropecuário de Mato Grosso, Campos de Júlio cultivou na safra 2019/2020, 115 mil hectares de milho, 191 mil hectares de soja e 59 mil hectares de algodão. 

Produz também, em escala menor, girassol, arroz, cana-de-açúcar, sorgo e tem um rebanho bovino com 80,4 mil animais. A pecuária tem registrado crescimento exponencial graças a integração com a lavoura, prática que tem se intensificado nos últimos cinco anos.

Com mais de 360 mil hectares cultivados, a produção agrícola é a base fundamental da economia de Campos de Júlio e, além de ser a maior geradora de empregos e renda do município, está ligada diretamente e indiretamente a outros setores, como o industrial. 

Foi em Campos de Júlio que se instalou a primeira usina de etanol no Brasil a partir do milho, em razão da grande oferta desse tipo de matéria prima. A indústria, a primeira implantada no Brasil, esmaga diariamente mais de 30 mil sacas e responde por 30% da arrecadação do município. Os outros 70% são gerados pelo agronegócio. 




 

Expansão urbana 

Em todas as cidades do Chapadão dos Parecis, o crescimento urbano é uma das molas que impulsionam a economia local. Em Campos de Júlio, esse setor é um dos que tendem a crescer e atrair investimentos. 

Atualmente, existem na área urbana diversos terrenos particulares onde podem ser implantados loteamentos residenciais e comerciais. Há também um loteamento em fase de regularização e outro em fase de implantação.

 

Turismo

 

Campos de Júlio é um dos municípios de Mato Grosso que tem sua fama alicerçada na produção agrícola, com amplas áreas cultivadas com soja, milho e algodão. Mas não são só os grandes campos produtivos que formam sua paisagem.

Campos de Júlio tem em seu território belezas naturais com grande potencial turístico, como lagos formados pelas PCH´s e rios propícios para o lazer e para a prática de esportes radicais, como a canoagem e o rafting.

Um dos locais que já está preparado para receber o turista é o balneário do rio Juína, às margens da BR-364 e onde se pode acampar, fazer boia cross, mergulho e percorrer as trilhas em meio a mata nativa. Energia elétrica, uma lanchonete e mesas espalhadas entre as árvores completam a estrutura existente. 

O balneário pertence à família de Marinês Britzke. Confiante no segmento, ela planeja implantar uma tirolesa e descida de rafting. Faz parte dos planos a implantação de trilhas para bicicross e uma pista de motocross. 

Conforme adiantou o prefeito Irineu Parmegianni, o turismo é um setor que deve ser fomentado no município e o empreendedor que investir no segmento terá o apoio da Administração Municipal. 

 

Qualidade de vida

Apesar de pequena, Campos de Júlio é uma das mais charmosas e bem cuidadas cidades do Chapadão dos Parecis, com ruas limpas, amplas avenidas, canteiros espaçosos, espaços públicos e uma boa estrutura de saúde e de educação, requisitos primordiais para uma boa qualidade de vida da população.

Além disso, o município oferece também atividades voltadas a outros setores, como o Projeto Motivação Cultural e Artística, que oferece aulas de violão, viola, teclado e acordeom para mais de 200 crianças, jovens e adultos. 

A iniciativa tem contribuindo com a mudança de vida dos moradores, oferecendo a eles, além do conhecimento musical, oportunidades profissionais. 

Renato dos Santos é um exemplo. Ele foi aluno do projeto em 2001 e desde de 2010 é professor. Hoje, graduado em música, dá aulas de violão, viola e viola de cocho no projeto. “Campos de Júlio é referência com aulas gratuitas para a população, com professores formados, com instrumentos fornecidos aos aluno. É difícil uma cidade que oferece um curso desses gratuito”, diz ele. 

O músico Magnus Peter Schoulten se mudou para a cidade no início do ano atraído pela oportunidade profissional – ele é professor de acordeom no Projeto Motivação Cultural e Artístico – e pela qualidade de vida. “É muito bom viver aqui. É uma cidade pequena, mas acolhedora, bem desenvolvida, bem projetada. É muito bom, gostei muito daqui”, afirma.